Maternura
Deitou-se na cama do filho para fazê-lo dormir
Os rostos horizontalmente paralelos revelavam suas
semelhanças com nitidez, apesar do
escuro do quarto
Contemplando a placidez que emanava daquele pequeno ser, a
mãe abriu um sorriso
O garoto abriu os olhos e sorriu de volta
E viu que os olhos da mãe marejavam
Já tinha visto a mãe chorar depois de um grito
E algumas outras vezes depois de um silêncio imperscrutável
que tentava ocultar sua exaustão
Mas lágrimas depois de um sorriso era algo inédito para ele
Na dúvida sobre o que fazer, a criança estendeu sua
pequenina mão e a deslizou sobre o rosto da mãe
Em seus 3 anos de vida, já tinha aprendido, por experiência
própria, que o carinho era a melhor forma de acalentar alguém que chora
O beijo que recebeu de volta revelou que ele acertara em
cheio
Fechou os olhos novamente, ainda com o sorriso no rosto
Adormeceu tranquilamente
Nem percebeu quando a mãe saiu do quarto
Notou que estava sozinho um pouco mais tarde, mas não chorou
e nem gritou
Sentiu-se seguro e tranquilo porque ainda permanecia nele a
sensação de um calor morno que conhece bem quem é amado
Dormiu bem a noite inteira
E acordou cantando.
(Felipe José, 22 de janeiro de 2026)
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