Noturno


A bailarina valsa
Como boneca de porcelana
Flutuando sobre o palco
Como a flor que nasce 
Abrindo suas pétalas 
Sem ferir a planta

Desejo a bailarina que voa
E inebria os meus sonhos
Derretendo o impossível 

Mas respeito o momento que é seu
Em silêncio solene e contemplativo
De quem parece conseguir desacelerar o tempo
Para olhar de perto a beleza fugidia

O orvalho madrugal que é verve em meus olhos
Escorre com mais delicadeza que o que vem da pétala fustigada pelo pouso da borboleta ou do beija-flor

Sei que haverá o momento da pele
De maciez do toque no corpo sob a seda
Mas, enquanto não, 

É tempo de poema

De ser grato à reinvenção do ser 
Que a indolente bailarina descobre enquanto passeia
Na mesma cadência dos martelos sobre as cordas do piano
Espalhando a magia que encanta o meu olhar
E que realça o brilho das estrelas que tornam azul o céu noturno, 
Invadindo o meu peito e o meu ser que
Às vezes esquece que, acima de tudo
É movido pelo amor que faz pulsar o meu teimoso coração. 

(Felipe Rocha, 21 de dezembro de 2019)



 

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