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Sinto só

  Há um prazer agridoce em me vestir de tristeza durante alguns silêncios Há beleza na varanda, do mar, do céu avermelhado pelo poente e nos telhados antigos que daqui eu vejo. Ainda assim, prefiro me despir do sorriso performático que sustento se há companhia E permitir que essa leve melancolia vespertina, tão comum às vidas imperfeitas, pouse sobre meus ombros enquanto espero o ronco da cafeteira italiana anunciado que o café está pronto.  Abro mão de pôr para tocar alguma música elegante que pudesse trazer um quê de charme para o momento. Por não ser tristeza aguda e exata, em vez de enxertar elementos dramáticos ou lúdicos que poderiam transmitir uma sensação de sentido ou beleza ao momento, prefiro permanecer quieto e passivo, atento apenas à velocidade das nuvens, à temperatura do vento e ao súbito advento da noite. Sinto só.  Não reflito, não penso e logo não resisto. Repouso todos os papéis que ocupo simultaneamente quando há outros. Permito que adormeçam enquanto...